Foi embora. Em todos os seus rastros, sempre deixou o vazio de sua alma, possuía aquela incompletude que não podia preencher. Por mais sorrisos e ordem que sua vida fosse, jamais poderia criar vínculos sem se machucar. Sua inquietude roía os laços que fazia, e em pouco tempo não restava nada além de solidão. Mas lá longe.. como gostava de lembrar! Lá havia espaço, havia ela mesma, havia paz.. Não aquela paz solitária e de angústia, mas a paz morna, duradoura.. Pois vivia mais um desses dias, que andava em círculos a procura de alguma coisa, mas seu coração sabia bem aonde queria chegar. Foi para lá. Passou direto, foi, voltou, onde estava? Havia coisas, sentimentos pairando, mas nada daquilo que semeara, nada daquilo que deixara ali. Seu espaço. Sua paz. Ali tinha sido seu forte contra os males de dentro e de fora, seu sossego, seu não mais.. Suas pedras viraram areia. Para onde iria então? O coração pulsava com força, os olhos apertados: voltava a cair no velho abismo. Onde enterrar as mágoas? A chuva caía forte.
[ Em memória de lugares que não são mais =/ ]
18 de abril de 2009
27 de fevereiro de 2009
Mudança
"- Como se mede uma mudança?
Pelos papéis velhos na lixeira
Pelo andar triste que se faz ligeiro
Pela cor do olhar que vê sem poeira
Pela lágrima seca no travesseiro
Pelo corpo que age com mais movimento
Pelo dia que roda com mais engrenagem
Pelo ar puro, entrando por dentro
Pelo recriar, e mais outra paisagem
Pela vida que escorre, que água e é ciclo
Por ser duro e difícil, e ser doce ainda sim
Pelo pulso da alma que alarda o vício
Do novo começo para o velho fim
- Como se mede uma mudança?
Com os fios que se traçam pela esperança..."
Pelos papéis velhos na lixeira
Pelo andar triste que se faz ligeiro
Pela cor do olhar que vê sem poeira
Pela lágrima seca no travesseiro
Pelo corpo que age com mais movimento
Pelo dia que roda com mais engrenagem
Pelo ar puro, entrando por dentro
Pelo recriar, e mais outra paisagem
Pela vida que escorre, que água e é ciclo
Por ser duro e difícil, e ser doce ainda sim
Pelo pulso da alma que alarda o vício
Do novo começo para o velho fim
- Como se mede uma mudança?
Com os fios que se traçam pela esperança..."
2 de janeiro de 2009
[Volta]
É difícil se desfazer de algo tão delicado. É como jogar uma flor no meio do lixo, um sentimento bonito numa caixa de sapatos. Esse blog foi, e ainda é, a minha flor no meio do asfalto, minha força e minha fraqueza, meu querido diário para todo mundo sentir.
Por isso que eu não vou me desfazer dele mais. Por isso que eu estou de volta, alguns sentimentos novos, outros nem tanto; de volta.
"I only know what I know
The passing years will show..."
Por isso que eu não vou me desfazer dele mais. Por isso que eu estou de volta, alguns sentimentos novos, outros nem tanto; de volta.
"I only know what I know
The passing years will show..."
4 de setembro de 2008
Submersão
E se a chuva vem lavar o meu passado
E mostrar claro as feridas que alimento
Maior tormento, do desejo mais errado
Erro maior, do sentimento mais sedento
Meu peito lento aprende a sofrer calado
Recolhe as mágoas nas encostas do cimento
Traz argumentos de um coração fechado
Desalinhado, traz e leva mais momentos
Por fim, atento, dá o caos por encerrado
Com a promessa de emergir daqui uns tempos...
"Uncry these tears
I've cried so many nights
Unbreak my heart.."
E mostrar claro as feridas que alimento
Maior tormento, do desejo mais errado
Erro maior, do sentimento mais sedento
Meu peito lento aprende a sofrer calado
Recolhe as mágoas nas encostas do cimento
Traz argumentos de um coração fechado
Desalinhado, traz e leva mais momentos
Por fim, atento, dá o caos por encerrado
Com a promessa de emergir daqui uns tempos...
"Uncry these tears
I've cried so many nights
Unbreak my heart.."
3 de julho de 2008
Minha sombra
Às vezes tento fluir com clareza
Algo qualquer que por dentro me assombra
As dores da alma se esvaem com destreza
No fundo dos olhos, na minha sombra
Minha fé é muda, minha fé muda
Pisca distante no labirinto tonto
Crédula, atéia, derruba, ajuda
Não me encontro, não me encontro
Nos atoleiros de pequenez
Sinto meus pés indo valentes
Afundo lenta, mais uma vez
Eficiente, e as mãos dormentes
Se então penso em não querer
Meu peito de pronto remansa
A sombra insiste em me envolver
Nunca descansa, sempre me alcança
Algo qualquer que por dentro me assombra
As dores da alma se esvaem com destreza
No fundo dos olhos, na minha sombra
Minha fé é muda, minha fé muda
Pisca distante no labirinto tonto
Crédula, atéia, derruba, ajuda
Não me encontro, não me encontro
Nos atoleiros de pequenez
Sinto meus pés indo valentes
Afundo lenta, mais uma vez
Eficiente, e as mãos dormentes
Se então penso em não querer
Meu peito de pronto remansa
A sombra insiste em me envolver
Nunca descansa, sempre me alcança
25 de maio de 2008
( Raízes )
Eu tentei me dizer com todas as forças que isso já não serve mais pra nós, que já não pode mais significar tanto quanto a gente achou que pudesse. No final das contas, o que sobrou de mim foi muito pouco perto das nossas lembranças, e eu não consigo me lembrar das coisas que eu sentia, era como se todo o resto fosse uma neblina espessa da qual a gente não se dava conta. Hoje eu vejo que o resto era uma parte importante de mim, uma parte que eu não devia ter deixado de enxergar se eu quisesse seguir em frente sem deixar meus pedaços no caminho. Gostaria de levar meus sentimentos como quem leva malas, guardar tudo no mais íntimo e partir sem medo de estar deixando algo pra trás. Você se importaria? Se eu tivesse coragem de olhar pra trás, gostaria de saber o que você fez com as coisas que eu deixei, se guardou algum pedacinho de mim ou se partiu sem sequer olhar, por pesar ou medo do nosso passado. Passado pra você, suponho eu, pois o sorriso dos seus olhos parece não se ressentir.. Você mentiria tão inocentemente assim? Sabe, às vezes eu gosto de me sentar à sombra daquela árvore antiga e imaginar o quão profundas são minhas raízes nos seus gestos, nos seus abraços, nos seus sorrisos.. Tento me levantar e ir minutos depois, como quem pensa bobagens sem sentido, mas só de levantar sinto que meus pés já criaram raízes no chão, sinto que são mãos inquietas revolvendo meu coração à procura de lembranças, sinto tanta coisa, sinto tanto! Sinto por não ter plantado nos seus sorrisos a confiança para que eles não murchassem, sinto por não ter aberto as portas pro seu coração se abrigar tranqüilo, sinto não ter te contado dos meus medos mesmo sabendo que você os conhecia, sinto não ter chorado quando você disse adeus ao invés de te pedir pra ficar, sinto por continuar mantendo tudo isso dentro de mim mesmo sabendo que você gostaria que eu só me lembrasse do que me fizesse sorrir. Lembro de uma vez ter te perguntado o porque de você nunca estar triste, e você ter dito que não tinha motivos pra se entristecer perto de mim. Hoje eu sei que não é isso, por Deus, agora eu sei.. Seus olhos sorridentes eram sorridentes por mim, e ao contrário de mim, você jamais faria nada que ferisse alguém que você ama de verdade. Alheias ao que acontece com os nossos sentimentos as raízes se aprofundam, e eu já não sei o que fazer com os meus dias...
"- Quais palavras ficaram por dizer?
- Três.
(Eu . te . amo.
Eu . sinto . muito.)
- Até algum dia."
Algumas coisas tem raízes dentro de nós..
"- Quais palavras ficaram por dizer?
- Três.
(Eu . te . amo.
Eu . sinto . muito.)
- Até algum dia."
Algumas coisas tem raízes dentro de nós..
21 de abril de 2008
Ponto
"Como um ponto não tem fim
Nem se parte na metade
Não se mede realmente
Não se vê com claridade
O amor dentro de mim
Vive solitariamente
E, embora, inconsciente
Seja final, na verdade
Dentro sente ser assim
Grande paralelamente
Se estendendo à eternidade"
Nem se parte na metade
Não se mede realmente
Não se vê com claridade
O amor dentro de mim
Vive solitariamente
E, embora, inconsciente
Seja final, na verdade
Dentro sente ser assim
Grande paralelamente
Se estendendo à eternidade"
24 de janeiro de 2008
Fios
Sentou-se na beira da cama. Enquanto seus pés balançavam preguiçosamente em busca de chinelos, ela ia tentando fixar entre as sombras do quarto as idéias que lhe passaram a mente enquanto dormia. Sonhara com alguém? A boca semi-amarga ia procurando vestígios antes que aquelas imagens desbotadas cheirassem a café. A luz branca e inválida que ia se estendendo vagarosamente da janela não parecia sequer colidir com aquele ar espesso acumulado. Tentou fechar os olhos e mergulhar pra dentro, e de pronto sentiu as lembranças esvaírem contra um forte sólido. Quis dar a volta, desmanchar, pular, fugir, mas a muralha parecia à prova de... quais eram mesmo as suas armas? Faltou-lhe o ar. De olhos entreabertos, foi se vestindo numa falsa despreocupação, como o dono que espera o pássaro com a porta da gaiola aberta. Já pronta, demorou-se mais um pouco numa frágil relutância, embora soubesse que não se engana inimigos internos. Abriu a porta. Contra a luz, os fios de fumaça no ar levitavam sabidos momentos, e costuravam lentos toda a vida que seu coração secreto guardava. De tão doces, ela nem resistiu a se entremear, e os pequenos fios tomaram todos os espaços de sua alma. Fios doces e pequenos, que coseram sua vida sem ela sequer perceber. Fios de insônia. Fios de sal. Fechou a porta.
3 de janeiro de 2008
Enfim
Olhou praqueles olhos tristes.
Uma luz no fundo da íris iluminou alguma coisa entre o passado e a saudade. Do alto do monte, aquelas duas luzinhas pareciam muito pequenas pra sua alma, pareciam gastas.. De desistência e de medo. Seria mais fácil voltar, seria mais prazeroso: sofrer e doer pra subir, pra descobrir que o caminho que procurava era uma descida. À troco de braços fechados? No ar só havia renúncia e desilusão, e agora precisava de mais luz pra iluminar os passos, de mais vida pra preencher. O sol — uma luz lhe clareou as idéias — só é possível pra quem alcança o horizonte.
Olhou praqueles olhos tristes. Não eram olhos tristes, eram olhos de despedida.
Adeus.
-
"Serás vida.. Bem vinda
Serás viva.. Bem viva
Em mim"
Seja bem-vindo, 2008.
Uma luz no fundo da íris iluminou alguma coisa entre o passado e a saudade. Do alto do monte, aquelas duas luzinhas pareciam muito pequenas pra sua alma, pareciam gastas.. De desistência e de medo. Seria mais fácil voltar, seria mais prazeroso: sofrer e doer pra subir, pra descobrir que o caminho que procurava era uma descida. À troco de braços fechados? No ar só havia renúncia e desilusão, e agora precisava de mais luz pra iluminar os passos, de mais vida pra preencher. O sol — uma luz lhe clareou as idéias — só é possível pra quem alcança o horizonte.
Olhou praqueles olhos tristes. Não eram olhos tristes, eram olhos de despedida.
Adeus.
-
"Serás vida.. Bem vinda
Serás viva.. Bem viva
Em mim"
Seja bem-vindo, 2008.
5 de dezembro de 2007
Verdades
Abaixa o tom, não faze tempestade em copo d'água. Reclamas que as minhas verdades são muito duras, que ferem os teus sentimentos.. Tarde assim? E eu que as guardei por anos em silêncio? Respeito. Cala-te.
-
Ps: Desculpem a ausência.. Não estou completamente presente, mas estou de volta.
-
Ps: Desculpem a ausência.. Não estou completamente presente, mas estou de volta.
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