24 de janeiro de 2008
Fios
Sentou-se na beira da cama. Enquanto seus pés balançavam preguiçosamente em busca de chinelos, ela ia tentando fixar entre as sombras do quarto as idéias que lhe passaram a mente enquanto dormia. Sonhara com alguém? A boca semi-amarga ia procurando vestígios antes que aquelas imagens desbotadas cheirassem a café. A luz branca e inválida que ia se estendendo vagarosamente da janela não parecia sequer colidir com aquele ar espesso acumulado. Tentou fechar os olhos e mergulhar pra dentro, e de pronto sentiu as lembranças esvaírem contra um forte sólido. Quis dar a volta, desmanchar, pular, fugir, mas a muralha parecia à prova de... quais eram mesmo as suas armas? Faltou-lhe o ar. De olhos entreabertos, foi se vestindo numa falsa despreocupação, como o dono que espera o pássaro com a porta da gaiola aberta. Já pronta, demorou-se mais um pouco numa frágil relutância, embora soubesse que não se engana inimigos internos. Abriu a porta. Contra a luz, os fios de fumaça no ar levitavam sabidos momentos, e costuravam lentos toda a vida que seu coração secreto guardava. De tão doces, ela nem resistiu a se entremear, e os pequenos fios tomaram todos os espaços de sua alma. Fios doces e pequenos, que coseram sua vida sem ela sequer perceber. Fios de insônia. Fios de sal. Fechou a porta.
3 de janeiro de 2008
Enfim
Olhou praqueles olhos tristes.
Uma luz no fundo da íris iluminou alguma coisa entre o passado e a saudade. Do alto do monte, aquelas duas luzinhas pareciam muito pequenas pra sua alma, pareciam gastas.. De desistência e de medo. Seria mais fácil voltar, seria mais prazeroso: sofrer e doer pra subir, pra descobrir que o caminho que procurava era uma descida. À troco de braços fechados? No ar só havia renúncia e desilusão, e agora precisava de mais luz pra iluminar os passos, de mais vida pra preencher. O sol — uma luz lhe clareou as idéias — só é possível pra quem alcança o horizonte.
Olhou praqueles olhos tristes. Não eram olhos tristes, eram olhos de despedida.
Adeus.
-
"Serás vida.. Bem vinda
Serás viva.. Bem viva
Em mim"
Seja bem-vindo, 2008.
Uma luz no fundo da íris iluminou alguma coisa entre o passado e a saudade. Do alto do monte, aquelas duas luzinhas pareciam muito pequenas pra sua alma, pareciam gastas.. De desistência e de medo. Seria mais fácil voltar, seria mais prazeroso: sofrer e doer pra subir, pra descobrir que o caminho que procurava era uma descida. À troco de braços fechados? No ar só havia renúncia e desilusão, e agora precisava de mais luz pra iluminar os passos, de mais vida pra preencher. O sol — uma luz lhe clareou as idéias — só é possível pra quem alcança o horizonte.
Olhou praqueles olhos tristes. Não eram olhos tristes, eram olhos de despedida.
Adeus.
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"Serás vida.. Bem vinda
Serás viva.. Bem viva
Em mim"
Seja bem-vindo, 2008.
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