27 de setembro de 2007

Revanche

"A tristeza está morta"
Palomilla

"Palomilla está morta"
Tristeza



=/ !

18 de setembro de 2007

O Espirro

Sentou-se num banco e fitou longamente o nada. Queria que os seus olhos disessem alguma coisa, mas eles estavam tão secos que eram incapazes de demonstrar dor, sequer vida. Sentiu-se como uma enorme pedra no meio das outras daquele bosque. Respirou fundo. Até que era melhor assim mesmo, pelo menos ela assumiria o seu próprio controle, poria sua cabeça no comando (coisa que ela mal sabia fazer.. tanto tempo!). Com os olhos baixos, pôs-se a conversar com o seu coração, agora em tom solene: deveria dar-lhe o último adeus. Pois bem quando seu coração já batia apenas o necessário, que lhe surgiu umas borboletas bem no estômago. As idéias foram se esvaindo, tudo uma coisa confusa, as borboletas foram subindo, subindo.. Se controlou. Precisava provar pra ela que era mais forte do que ela mesma; voltou à despedida. Num pulo, o coração fez voar as borboletas novamente: agora elas voavam na sua cabeça, na palma de sua mão, nos cachos do seu cabelo. Foi um não-sei-o-quê que veio subindo, subindo, subindo.. Espirrou. Viu todo o passado flutuar no ar, viu as borboletas levarem-no pra longe. Mais tarde, por força de não sei que vida, olhou pra dentro de si e viu-se vazia. E assim seguiu dali em frente, arrependida de não ter voado com as borboletas enquanto era tempo. Na mesa de jantar, era uma sombra.
— Mãe, um espirro pode tirar pedaços da gente?
— Não sê boba, menina, é só um espirro.

11 de setembro de 2007

Da atitude tomada

O arrependimento nina a esperança doce, que se ludibria por entre as possibilidades. As idéias vêm e vão como luzes esguias, expondo o que há de bom e belo ao invés de iluminar o todo. Mesmo assim, o passado se soergue das mágoas e faz com que as lembranças tornem o sono doentio. As intenções já não bastam. Luzes bailam na dança desesperada. Escuridão.


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Post referente ao movimento entre blogs Vale A Pena Ler De Novo, onde o indicado escolhe um texto de sua escolha pra republicar.

1 - Qualquer blog indicado pode participar.
2 - O blogueiro deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou (Sabe? Aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!) e então repúblicá-lo, podendo modificá-lo de algum jeito.
3 - Escrever a frase "Movimento — Vale A Pena Ler De Novo" no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.
4 - Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando o link deles no seu post republicado.
5 - Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste.

~ Criado por

A ótica de um míope

~ Indicada por

Strawberry Fields

~ Indicados

Capricho Da Imaginação ~ Estive Pensando ~ Las Colores Del Mundo ~ Miscelânea ~ P De Pinguim Feliz

2 de setembro de 2007

Meu Caminho

O caminho que eu escolhi
Não havia de ser bifurcado
É o que não quis e não preferi
O certo que me soa errado

Das idéias voando em torno
Um vapor me atingiu em gelo
E no meu desmaio morno
Troquei a luta pelo desmazelo

Como quebrasse o que nasceu unido
Posse em balança o que não se compara
Uma fraqueza que não faz sentido
Pagar barato uma jóia rara

Os anéis de vento me envolvem
Enquanto prefiro pensar que morri
Sabe assim as respostas se mostrem
Nesse caminho que escolhi...

26 de agosto de 2007

— ...

Porque eu gastei todos os meus neurônios na redação do Enem, e ainda tive a proeza — sim, eu consegui! — de fugir do tema proposto.


— Ó céus.

19 de agosto de 2007

Vida Noves Fora Zero

"Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
(...)
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero."
(Manuel Bandeira)

12 de agosto de 2007

Ventania

A vida se converteu em ventania... O perfume já é de um longe amargo, as arestas já são muito fortes pra que eu possa rompê-las no caminho dos meus sonhos. Sem lágrimas ou tormentas, medos ou tempestades. Apenas a culpa vai gotejando lembranças nessa ampulheta irremediável, da qual sequer me protejo. Ainda é cedo, e eu tenho toda uma vida até que todo passado se acabe. Até que não haja sequer pensamento.


"Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa, pra correr entre os canteiros e esconder minha tristeza..."

5 de agosto de 2007

Sonhos

"... E por todos esses anos
Na vida que eu tecia
Eu lhe falava de planos
Você sorria com alegria
Mas ao romper da teia eu vi
O forte de areia que ergui
Ruir frágil no cantil escuro
Olhei pra trás e vi nas ruínas
Que enquanto eu dizia futuro
Você ria: fantasias!"

Sonho que se sonha junto é mesmo realidade?

31 de julho de 2007

Fim De Férias

Sabe quando mesmo que pareça que tudo está andando nos eixos ainda falta alguma coisa?
Sabe quando mesmo que você faça o certo parece que está dando tudo errado?
Sabe quando você mal acorda e já lhe vêm a música "Todo dia ela faz tudo sempre igual..." na cabeça?
Sabe quando por mais que você tente se mostrar insatisfeito tudo o que consegue é continuar fazendo as mesmas coisas?
Pois é...

"There's a little black spot on the sun today
It's the same old thing as yesterday
There's a black hat caught in a high tree top
There's a flag-pole rag and the wind won't stop

I have stood here before inside the pouring rain
With the world turning circles running 'round my brain
I guess I'm always hoping that you'll end this reign
But it's my destiny to be the king of pain"
( The Police )

24 de julho de 2007

Clarice

Hoje não houve nenhum acontecimento lindo na minha vida (também, o que se há de esperar que aconteça nas primeiras 11 horas do dia?). Ah, sim. Ganhei uma biografia da Clarice Lispector de presente, e um caderninho de anotações dela (dela, diga-se: com o rosto dela na capa). Por fora eu sorri, por dentro eu dei ataques esquisofrênicos de alegria x). Já quase acabei de ler a biografia, já batizei o caderninho de anotações.. A poesia de estréia..

No início era flor, e era perfume
Raio de sol aquecendo a doçura
Afeição delicada cercada em tapume
Confiança perene em uma taça pura.

Me embebi de sonhos, e eu que sei
Dos devaneios mais leves que tive sozinho
Do teu rosto que me recordei
Pra não ver teus passos fora do meu caminho

Meus planos morreram na minha palma, enfim
Meu presente, um que me fora tomado
Em que ponto tua presença em mim
Fez-se luzir triste no meu passado?


Acho que vou ter problemas com esse caderninho. A Clarice me intimida. Sério mesmo.