5 de dezembro de 2007

Verdades

Abaixa o tom, não faze tempestade em copo d'água. Reclamas que as minhas verdades são muito duras, que ferem os teus sentimentos.. Tarde assim? E eu que as guardei por anos em silêncio? Respeito. Cala-te.


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Ps: Desculpem a ausência.. Não estou completamente presente, mas estou de volta.

18 de outubro de 2007

Abrir Os Olhos

Depois de tanto se machucar, descobriu que o motivo de toda aquela dor era o meio termo. Era a tentativa de ser uma pessoa equilibrada e de tentar poupar as pessoas que amava que foi a corrompendo pouco a pouco, dia a dia. Sobrou vontade de sair de terra firme, faltou coragem pra chegar em alto mar. Nessa meia decisão, as ondas a engoliram, bateu contra as pedras.. Sofreu por dois lados a covardia de não optar por nenhum deles. Ainda se fere, mas de toda a palpitação que lhe move o peito, a que lhe pulsa mais forte é o medo de ficar assim, assim, assim... O medo foi tão forte que se embebeu de si mesma, e acabou descobrindo uma força que sequer pensou-se capaz de suportar. Se viu furacão, desordem e tumulto, sempre prestes a assustar os sonhos mais frágeis. Viu bem assim, e viu além: mais adiante das casinhas no pé da montanha, a tranquilidade também fluía seus ares puros no olho do furacão. Coincidência? Agora anda convicta, a passos brandos, pro fado do qual tanto se escondeu. Pode ser que nunca chegue, mas o primeiro passo já lhe basta.

5 de outubro de 2007

O que resta da primavera

Primavera. A flor ali, sem saber o que fazer, ficou lavando os pensamentos com o vento.. Em outros tempos, preparou o melhor de si pra quando chegasse a hora. Se abriu em cores e perfumes, em cada borboleta que pousava oferecia junto um pedaço de sua alma. Mas a vida, injusta que era (assim pensava), fez com que toda a floresta se voltasse pra outras flores, fazendo até os menores bichos pisarem nas suas pétalas mais delicadas. Por quê? Engoliu secamente toda a sua dedicação, recolheu as gotas de ternura que ainda podia usar. Por quê? Ecoou amargamente promessas passadas por toda uma estação, no inverno foi a mais murcha.. Quis morrer. A dor, cada vez mais impessoal, foi ferindo lembrança por lembrança, até que a flor não pôde consigo mesma. Se lavou em lágrimas e, quando não havia mais, se alimentou do próprio sal. Prometeu-se nunca mais ser flor, nunca mais ser ferida por flores sem espinhos.
Olhou ao redor. As flores todas se abriam, umas mais e outras menos, sem ordem nem sequer doçura. Abrir-se bastava a elas: floriam sem pensar. A pequena flor sentiu a espada pesar novamente, agora como um clarão: às vistas alheias as flores seriam todas iguais, ninguém jamais saberia do quanto suas raízes se abalaram pra se manterem no chão. Já não sabia o que pensar, o vento fazia os sentimentos fugidios. Primavera. Tantas e tantas estações se passaram, e tudo que restava era florir como se não tivesse direito a ter memórias.. Lhe restava alguma coisa?

27 de setembro de 2007

Revanche

"A tristeza está morta"
Palomilla

"Palomilla está morta"
Tristeza



=/ !

18 de setembro de 2007

O Espirro

Sentou-se num banco e fitou longamente o nada. Queria que os seus olhos disessem alguma coisa, mas eles estavam tão secos que eram incapazes de demonstrar dor, sequer vida. Sentiu-se como uma enorme pedra no meio das outras daquele bosque. Respirou fundo. Até que era melhor assim mesmo, pelo menos ela assumiria o seu próprio controle, poria sua cabeça no comando (coisa que ela mal sabia fazer.. tanto tempo!). Com os olhos baixos, pôs-se a conversar com o seu coração, agora em tom solene: deveria dar-lhe o último adeus. Pois bem quando seu coração já batia apenas o necessário, que lhe surgiu umas borboletas bem no estômago. As idéias foram se esvaindo, tudo uma coisa confusa, as borboletas foram subindo, subindo.. Se controlou. Precisava provar pra ela que era mais forte do que ela mesma; voltou à despedida. Num pulo, o coração fez voar as borboletas novamente: agora elas voavam na sua cabeça, na palma de sua mão, nos cachos do seu cabelo. Foi um não-sei-o-quê que veio subindo, subindo, subindo.. Espirrou. Viu todo o passado flutuar no ar, viu as borboletas levarem-no pra longe. Mais tarde, por força de não sei que vida, olhou pra dentro de si e viu-se vazia. E assim seguiu dali em frente, arrependida de não ter voado com as borboletas enquanto era tempo. Na mesa de jantar, era uma sombra.
— Mãe, um espirro pode tirar pedaços da gente?
— Não sê boba, menina, é só um espirro.

11 de setembro de 2007

Da atitude tomada

O arrependimento nina a esperança doce, que se ludibria por entre as possibilidades. As idéias vêm e vão como luzes esguias, expondo o que há de bom e belo ao invés de iluminar o todo. Mesmo assim, o passado se soergue das mágoas e faz com que as lembranças tornem o sono doentio. As intenções já não bastam. Luzes bailam na dança desesperada. Escuridão.


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Post referente ao movimento entre blogs Vale A Pena Ler De Novo, onde o indicado escolhe um texto de sua escolha pra republicar.

1 - Qualquer blog indicado pode participar.
2 - O blogueiro deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou (Sabe? Aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!) e então repúblicá-lo, podendo modificá-lo de algum jeito.
3 - Escrever a frase "Movimento — Vale A Pena Ler De Novo" no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.
4 - Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando o link deles no seu post republicado.
5 - Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste.

~ Criado por

A ótica de um míope

~ Indicada por

Strawberry Fields

~ Indicados

Capricho Da Imaginação ~ Estive Pensando ~ Las Colores Del Mundo ~ Miscelânea ~ P De Pinguim Feliz

2 de setembro de 2007

Meu Caminho

O caminho que eu escolhi
Não havia de ser bifurcado
É o que não quis e não preferi
O certo que me soa errado

Das idéias voando em torno
Um vapor me atingiu em gelo
E no meu desmaio morno
Troquei a luta pelo desmazelo

Como quebrasse o que nasceu unido
Posse em balança o que não se compara
Uma fraqueza que não faz sentido
Pagar barato uma jóia rara

Os anéis de vento me envolvem
Enquanto prefiro pensar que morri
Sabe assim as respostas se mostrem
Nesse caminho que escolhi...

26 de agosto de 2007

— ...

Porque eu gastei todos os meus neurônios na redação do Enem, e ainda tive a proeza — sim, eu consegui! — de fugir do tema proposto.


— Ó céus.

19 de agosto de 2007

Vida Noves Fora Zero

"Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
(...)
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero."
(Manuel Bandeira)

12 de agosto de 2007

Ventania

A vida se converteu em ventania... O perfume já é de um longe amargo, as arestas já são muito fortes pra que eu possa rompê-las no caminho dos meus sonhos. Sem lágrimas ou tormentas, medos ou tempestades. Apenas a culpa vai gotejando lembranças nessa ampulheta irremediável, da qual sequer me protejo. Ainda é cedo, e eu tenho toda uma vida até que todo passado se acabe. Até que não haja sequer pensamento.


"Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa, pra correr entre os canteiros e esconder minha tristeza..."