※ O que resta da primavera


Primavera. A flor ali, sem saber o que fazer, ficou lavando os pensamentos com o vento.. Em outros tempos, preparou o melhor de si pra quando chegasse a hora. Se abriu em cores e perfumes, em cada borboleta que pousava oferecia junto um pedaço de sua alma. Mas a vida, injusta que era (assim pensava), fez com que toda a floresta se voltasse pra outras flores, fazendo até os menores bichos pisarem nas suas pétalas mais delicadas. Por quê? Engoliu secamente toda a sua dedicação, recolheu as gotas de ternura que ainda podia usar. Por quê? Ecoou amargamente promessas passadas por toda uma estação, no inverno foi a mais murcha.. Quis morrer. A dor, cada vez mais impessoal, foi ferindo lembrança por lembrança, até que a flor não pôde consigo mesma. Se lavou em lágrimas e, quando não havia mais, se alimentou do próprio sal. Prometeu-se nunca mais ser flor, nunca mais ser ferida por flores sem espinhos.
Olhou ao redor. As flores todas se abriam, umas mais e outras menos, sem ordem nem sequer doçura. Abrir-se bastava a elas: floriam sem pensar. A pequena flor sentiu a espada pesar novamente, agora como um clarão: às vistas alheias as flores seriam todas iguais, ninguém jamais saberia do quanto suas raízes se abalaram pra se manterem no chão. Já não sabia o que pensar, o vento fazia os sentimentos fugidios. Primavera. Tantas e tantas estações se passaram, e tudo que restava era florir como se não tivesse direito a ter memórias.. Lhe restava alguma coisa?
Blogger Gabriele Fidalgo

Nossa, digo eu. rs

Esse teu texto é um desabafo tão delicado, e ao mesmo tempo tão forte!
Você escreveu muito bem.
Gostei bastante dessa parte:
'ninguém jamais saberia do quanto suas raízes se abalaram pra se manterem no chão.'

Só mesmo que sente, é que sabe neh?

Beijão, querida ^^

6 de outubro de 2007 23:39  
Blogger Arthur Araújo

Quem sabe na próxima primavera, essa mesma flor, seja a mais bela das belas. Ai sim... restará daquela primavera, inveja e inveja...

bjssss!! T+

7 de outubro de 2007 03:20  
Anonymous Juliana

"Primavera. Tantas e tantas estações se passaram, e tudo que restava era florir como se não tivesse direito a ter memórias.. Lhe restava alguma coisa?"

Como sempre explorando coisas q não percebemos, q nos foge a cabeça. Delicado. Justiça as flores!!!
Vou postar logo logo, andei meio sem tempo essa semana! Espero q estejas bem! Um grande bjo e boa semana!

7 de outubro de 2007 17:27  
Blogger ~universo paralelo~

Lindo, lindissimo, delicado, belo, forte.!
:)

9 de outubro de 2007 16:30  
Blogger Lais Mouriê

Da primavera me resta tanta coisa... agora vc me pôs a lembrar... aiaiaiaiai

Bjos, querida Pallô!

10 de outubro de 2007 23:50  
Blogger Claudia Lis

Olá Palomilla,

Assim como a Gabi também me identifiquei muito com a seguinte frase, em especial:

“ninguém jamais saberia do quanto suas raízes se abalaram pra se manterem no chão.”

Também penso assim. E costumo usar aquela frase “ninguém sabe o que eu sofri”. Não que eu tenha sofrido horrores na minha vida, mas é claro, como todas as pessoas, já passei por experiências chatinhas e que tiveram seu peso em mim.

Belo texto!

=)

Beijos

12 de outubro de 2007 01:41  
Blogger Claudia Lis

Ah, quase esqueço de falar, tenho post de Dia das Crianças. Um conto sobre um fato que ocorreu comigo (há tempos), que eu adoro! Quando puder passa lá! Vou adorar!

=)

Beijos e Feliz Dia das Crianças

12 de outubro de 2007 14:35  
Blogger Enterufter

Olá Palomilla!

1º Adorei o seu nome e vim parar aqui por causa dele!

2º Vou voltar mais vezes. Ótimo texto, delicado, envolvente e criativo.

Beijos grandes!

14 de outubro de 2007 11:13  
Blogger Mayara

quanta delicadeza...mais ainda falta muito para o fim da primavera...

=D

bju!

14 de outubro de 2007 14:43  
Anonymous Malu

Olá!
Adorei não somente este texto, mas os antigos como "olhos" e " o espirro". Vc escreve mtu bem, parabéns!
Essas flores por mais que sofram são sempre necessárias, pois são elas que inspiram outras criaturas, e mostram que apesar da rudez do mundo, ele ainda tem seres maravilhosos.
Espero que elas continuem com forças para existirem.
Bjs

17 de outubro de 2007 14:51  

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