※ A Flor


A flor pequenina, ainda em semente
Em seus sonhos vai sendo embebida
Esperando que a luz se faça presente
Para que vivam com sua vida.

Nasce exalando cego perfume
Mostra os espinhos e se fecha muda
Mas – ingênua! – cede ao costume
De ser doce, gentil, desnuda.

E se algum mal lhe aborrece
Pondo sua candura em penhor
Dum outro pior padece:

Se vê, irremediável, flor
Não sabe ferir, esquece
E fenece florindo amor.